Nome sem regras

É claro que existem algumas diretrizes para criar um bom nome. Mas por outro lado, tratando-se de um trabalho que envolve criatividade, regras podem limitar a criação.

Cada projeto é diferente e tem suas particularidades. O que serve para um jamais servirá para o outro, mesmo que sejam empresas do mesmo ramo, por exemplo. Afinal precisamos trabalhar com diferenciação e respeitar a estratégia de negócio e de marca, de cada um.

Dito isso fica claro que, o que é “certo ou errado” para um nome, é muito particular. Apenas quando você compreender o negócio, entender o mercado na qual essa marca será inserida, seu público e concorrentes é que será possível saber o que é imprescindível e não pode faltar nesse nome e o que é irrelevante.

Muito fala-se que um bom nome tem que ser escrito e pronunciado de maneira correta. Mas pense por outro lado, se ele tiver uma pequena dificuldade nesse sentido (de maneira que não irá prejudica-lo, claro!) mas ao mesmo tempo ter uma sacada incrível, ou então fazer uma conexão emocional relevante, é muito mais interessante. E os pontos fracos irrelevantes, não?

O ponto chave está em, conhecer muito bem a marca para quem você está criando o nome e saber quais são as fraquezas aceitáveis para ele. Nenhum nome é perfeito. É preciso captar o que o nome em questão precisa e o que é mais importante para ele.

Não vale a pena descartar um nome significativo pelo fato de que um único elemento não está em perfeita sintonia. A pronúncia por exemplo, pode ser aprendida e aperfeiçoada, afinal marca é construção. Qual o problema da primeira vez alguém falar errado e depois aprender o correto? Isso não irá prejudicar a marca e o problema será resolvido!

Mas é claro que tudo tem limite e fraquezas devem ser aceitas de maneira consciente e de uma forma que jamais prejudique a marca. Digamos que, deve ser um risco consciente e calculado.

Se for para cumprir todos os mandamentos de um bom nome, dificilmente você vai chegar a algum lugar. As vezes podemos achar que algo é irrefutável e descobrir durante o processo que dá sim para abrir excessão. É importante seguir algumas orientações mas nada de regras rigorosas!

Ana Carolina

O que um designer precisa saber sobre naming?

Mesmo não sendo função de um designer, muitas vezes a demanda para criar uma logo chega seguida da necessidade de criar o nome para a empresa, produto ou serviço em questão.

Sem verba para contratar um especialista e para não negar o trabalho, o designer acaba aceitando o desafio, e inevitavelmente se pergunta:
“E agora que aceitei, por onde começar?”  

Portanto aqui vão 5 dicas exclusivas para designers que pretendem dar nome para alguma marca.

Dica 1
Defina a mensagem que você quer passar através do nome.
Assim como na construção de uma logo, ter um foco claro irá te orientar e facilitar a criação.
Exemplo: A Natura transmite um dos ideais do negócio que é o valor da natureza.

Dica 2
Defina o que você vai revelar sobre a marca através do nome, e o que vai deixar para comunicar através da logo.
O bom é que, dessa maneira, a marca vai se tornar mais rica e relevante.
Exemplo: Häagen-Dazs. O nome passa a ideia de ser um produto escandinavo. E seu design, atualmente, transmite modernidade. (marca reformulada em 2017).

Dica 3
Dê atenção à sonoridade.
Já que não é tão comum na rotina de um designer prestar atenção na parte verbal, certifique-se de que o nome possui pronúncia fluida e agradável.
Exemplo: A marca Schwarzkopf, de produtos para cabelo, é quase impossível de ser pronunciada por nós brasileiros.

Dica 4
Faça a consulta no INPI .

Só dessa maneira você saberá se o nome que criou pode ser registrado.
Mas não faça isso por conta própria, deixe para um advogado especialista. O bom é que, existem vários deles no mercado que fazem essa pesquisa sem custo algum.
Exemplo: Antes de ser Jota Quest a banda se chamava J Quest, uma inspiração do desenho Jonny Quest. Teveque trocar de nome depois de anos, para não serem processados pela Hanna-Barbera.

Dica 5
Tenha em mente em quais materiais esse nome será usado.
Se for nome de produto e a embalagem for pequena, você já deve imaginar que o mais indicado é um nome curto, não é?
Exemplo: ‘Quem disse berenice’ é bem longo para caber em uma embalagem de batom.

Essas dicas são valiosas também quando o cliente pede apenas uma opinião sobre o nome para o designer. Através desse conhecimento é possível direcioná-lo melhor, o que pode ser um diferencial na hora de ter uma conversa mais profunda a cerca da marca.

Criar um nome é um trabalho que te tira da zona de conforto, exercita a sua criatividade e te dá uma outra perspectiva em relação à uma marca, o que é excelente para um profissional de criação. E o principal, como foi você que criou o nome, e já tem em mãos um brainstorm com insights, fica meio caminho andado para criar a logo e a identidade visual.

Ana Carolina

A importância da gestão do nome da sua marca

Quando criei a conta da Batiza no Instagram, o perfil não estava disponível, uma outra pessoa já tinha posse do @batiza. Apesar de chateada, afinal todo mundo quer seu @ exato, tive de escolher outro: @mebatiza.

A estratégia foi acrescentar uma ‘palavra’ interessante, que resultou em um call to action, que poderia ser interpretado como um pedido de socorro: “dê um nome para a minha marca”. Perceba que, não escolhi um termo aleatório apenas para resolver a minha necessidade, e sim um complemento que fazia sentido, era descontraído e chamava atenção.

Eu realmente fiquei feliz com essa escolha. Mas infelizmente, com o tempo, ela começou a trazer um certo desconforto.

Quando alguém me mencionava no Stories, ao invés de falar a ‘Batiza’, dizia a ‘Me Batiza’. As vezes, essas pessoas até sabiam o nome correto (fiz uma enquete para descobrir isso!) mas acabavam mencionando o @ para ficar mais fácil dos outros me encontrarem ali no Instagram.

Minha insatisfação foi crescendo. Estava ficando angustiada, pois percebia a cada dia que meu nome ‘Batiza’, que eu criei com tanto cuidado e carinho, estava perdendo espaço para meu nome do perfil.

Logo eu, que trabalho com Naming, estava tendo um problema com o meu próprio nome.

Se tratava de uma questão estratégica (e eu adoro isso!), portanto foi preciso refletir, analisar, ponderar os prós e contras, durante alguns meses, antes de tomar uma decisão que resolvesse o problema. Afinal as pessoas já estavam acostumadas com @mebatiza.

A dúvidas eram: “É ou não é a hora de mudar? Eu mudo agora para @batiza(algumacoisa) ou sigo como está?” E para responder essas questões tive que me questionar: “Qual é a importância disso para a minha marca?”

E eu entendi que era muito mais importante preservar meu nome, pois ele poderia ir por água abaixo, perder a relevância e enfraquecer a marca. Por isso resolvi mudar.

Agora o perfil no Instagram é: @batiza.naming
Como tudo na vida tem um lado bom, nesse caso não seria diferente. Com o novo complemento, ficou mais fácil das pessoas encontrarem o meu serviço.

Enfim, escrevi tudo isso para aproveitar essa mudança de perfil e falar que, por mais que o problema do nome estivesse apenas no Instagram, ele acabaria saindo de controle, indo para fora desse universo e prejudicando a marca como um todo.

Portanto, tenha cuidado ao criar o nome da sua marca e também com a gestão dele. Pensar com calma e estrategicamente, mesmo que só para criar o perfil das redes sociais, é muito importante e influencia diretamente na imagem da sua marca.

Ana Carolina